Eu poderia
dizer que fiz mais que o bastante, tudo certo, que não faltou nada, mas a ideia
de auto perfeição não condiz muito com pensamentos de alguém ponderado. E nesse
caso é mais do que inocência que alguns atos soaram um tanto errados, muito
pelo contrário eu vivo o esplendor da realidade, a nomeação dos erros, a
familiarização com o fracasso.
O problema não
é o problema, mas a constatação de que há bem pouco a se fazer, para não dizer
nada. Acabaram-se os planos, se apressaram os relógios, se esgotaram as
chances.
Você não pode mudar as pessoas.
Carece de
muito tempo, paciência e inocência acreditar que elas ainda possam mudar.
Talvez
necessite de mais que isso, quem sabe falta amor, quem sabe dor. Quem sabe
ambos.
As pessoas sempre
serão um mistério, desisto eu da tentativa de compreender o que não pode ser
compreendido em sua totalidade.
Me desculpo
pelos erros.
Me calo pro
sentimentos.
Desisto das frustações
de esperar e esperar.
Estou cansado
das críticas, pasmo com a incompreensão e desgastado com tanta decepção.
Quando as
pessoas que mais te amam na vida te enxergam monstruosamente, algo além de ego
e espelhos quebram para você. Principalmente se elas costumavam te ver melhor
do que você mesmo se via.
O único benefício
de algo completamente destruído é o surgimento de algo totalmente novo. Tudo
passa e a dor também passará.
Não choremos
pelos cacos.
Não lamentemos
as derrotas.
Que os mortos
sejam enterrados.
Erros
acontecem. De novo e de novo.
Farei
igual os relógios, comprarei baterias novas e ganharei um novo tempo.
Um
tempo novo para um mesmo um homem.
Um
novo destino para uma mesma vida.
Não
sei se um dia não faltarão pessoas.
Ou
se no inverno fará sol.
Não
sei se quer, se faz diferença.
Será mesmo possível
viver todos os sonhos, já sonhados?
Enfim, hoje
não faço questão de respostas.
De ouvidos,
abraços ou sorrisos.
Estou cansado
até de mim mesmo.
Que isso não seja
murmúrios de um vida mimada.
Que não encarem
como um grito por atenção no meio ao desespero.
Que não seja
motivo para análises e suposições.
Que não seja
digno de pena.
Que não seja
mais um distúrbio da realidade ou um incômodo para mentes tão ocupadas.
São apenas
sentimentos espirrados em monólogo inconsciente sobre dor, carência e cansaço.
Um auto
desabafo em busca de algo.
Em busca de fé,
de força, coragem...
Acima de tudo
em busca de si mesmo.
Em busca de
resistência.
RESISTÊNCIA DESARMADA