domingo, 14 de abril de 2013

Furacão



Nas minúcias de tristezas do presente, talvez seja importante as vezes fechar os olhos e pensar apenas no passado.
Em um passado de sofrimento, mas também de alegrias.  
Ambos trazidos pelo tempo.
Como um vento ele traz e leva um furacão de acontecimentos continuamente.

Mas nós meros mortais, somos inquietos e imediatalistas.
Possessos de impaciência gritaremos aos quatro ventos.
Juras de suicídio e gritos de injúrias.
Você pode se estressar, negar, se destruir ou desistir.  
Mas não existe ventilador na Terra para os calores do coração.
A vida não tem segredo, Shakespeare que me perdoe, mas é tudo como uma tarde de verão.


Os dias de brisas calmas você aproveita o mar, se joga nas ondas;
Deixa a pele bronzear ao sol sem restrição.
Os dias de rajadas apressadas você só observa as ondas tormentas e senta na areia;
Deixa o vento embaraçar o cabelo, escorrer mais rápido as lágrimas.
Dentre os dois só permanece o cheiro da maresia, sua certeza de sol em um dia seguinte.
Ou seguinte, ou seguinte, ou seguinte...
Porém um dia ele chega.

Não cabe a mim constatar se é justo.
Sei que é sincero, sincero com certeza.
E o que é sincero volta.
Volta depois de tempo.
Volta depois de vento e chuva.
Mas volta.

Se nas tardes de forte ventania você tiver medo do vento.
Feche os olhos pense no passado.
Nos dias de sol.
Cante sua música favorita.
Dance algo sem sentindo.
Sonhe no furacão.

Qualquer coisa é melhor que tristeza. 

terça-feira, 9 de abril de 2013

Portal do Instante

Não sei se para todos funciona do mesmo jeito, apesar de que nos últimos tempos tenho notado que é mais frequente do que imaginava. Talvez mude o jeito, o tempo, a necessidade, mas essa saída deve existir alguma hora para todo mundo.
Algum dia você acorda e a realidade não é mais um lugar tão pacífico e confortável para estar, então você tenta não fazer mais parte dela, não pra sempre, mas por um momento que seja, um instante que você pode sentir que encontrou plenitude em tudo que sonhava, queria e sentia.  
Na minha busca desenfreada por entender o comportamento de tudo e todos, eu vi amigos fazendo isso das formas mais variadas possíveis, conscientes do que estavam fazendo e não. Mas considero o mais peculiar de tudo isso, uma das minhas forma de lidar com isso. Eu converso com muita gente e sinceramente nunca ninguém me comentou algo do tipo, talvez seja algo muito pessoal para ser compartilhado ou até taxado de ridículo para admitirem assim. Sei lá vai ver só não pensem à respeito.
Sabe quando a gente é pequeno? Sonhamos coisas que estão muito além da realidade, não falo brinquedos caros, ou parque temáticos que ainda não existem. Falo de bruxas, dragões, viagens no tempo, extraterrestres e telecinese. Acho que o normal ou para encontrar um termo mais exato o “esperado” era o tempo passar você ter noção que a realidade é um pouco diferente de tudo isso e só sonhar com seu casamento, fama, empregos do sonhos e anseios do tipo, passíveis de realização no mundo real.
 Mas eu não consigo, claro que assim como outras pessoas me apoio em inúmeras coisas pra aliviar a vida e que também sonho coisas mais simples, mas é constante desde pequeno e não parou até hoje arquitetar uma vida de reinados imaginários com poderes mágicos.  Minha cabeça não para, nem preciso está triste, só preciso de uma música, uma foto, um filme, as vezes não preciso de nada além de mim mesmo.  
Estranho você ter um mundo tão distante da realidade dentro de si mesmo, não sei se isso acontece porque nunca cresci, se meu cérebro veio com defeito ou se sou tão descontente das inúmeras decepções do mundo real que só algo impossível para todos que vivem nele poderiam me fazer suportar vive-lo.
Engraçado que a maioria dos textos que escrevi buscavam uma conclusão uma resposta, esse me contento só com as perguntas.

Meu mundo é real pra mim e isso me basta. 

terça-feira, 2 de abril de 2013

Sombras


A gente se encontra, um dia desses sobre uma sombra qualquer.
Em uma noite daquelas de pouca luz, para nós enxergarmos melhor.
Quem sabe com sorte consiga ver tudo que o brilho do sol ofuscou.
Por ego, reflexo ou ilusão. 
Sabe, coisa de pele, alma e coração.



Luzes apagadas em um constante diálogo silencioso.
O benefício de poder dizer tudo, sem pronunciar uma palavra. 
Mas é preciso muita coragem para se olhar no espelho.
Para fitar o emparelhado de sonhos, sentimentos e erros que definem você mesmo.



Não importa tanto o que você diga.
Importa mais o que você enxergue.
Pouco importa o que você faça.
Muito mais que você saiba.
Saiba entre palavras, planos, sentimentos, erros e defeitos.
Quem você é.
E o que você quer.
Mesmo que seja só pra você sozinho...
No escuro.