As noites são frias
As noites são escuras
Durante a noite acontecem as piores coisas
São boladas as piores ideias
E sucedem as maiores tempestades
E não é por isso que ela perde sua magia
Não é por isso que deixamos de adorar seus feitiços
No fim gostamos do risco
Apreciamos um mistério
Queremos um adultério
Adoramos desafiar uns demônios
Desrespeitar alguns mandamentos
Nosso amor pela noite
Reflete nosso amor no seu sentindo mais amplo
Na sua razão relacionamental
A Idolatria do contratempo
Masoquismo doméstico
Não que eu renegue sua felicidade instantânea
Não que seja possível evitar o inevitável
Não que seja de sua totalidade desagradável
Muito pelo contrario
Mas é fato que amar é um pulo cego no desconhecido
Com sérios riscos de se encontrar um precipício
Mas do mesmo modo que a noite nos fascina
O amor nos hipnotiza, nos convence e nos possui
Engraçado que o amor se comporta e se manifesta de diferentes formas durante a nossa vida
Na primeira vez somos meros principiantes
Não temos a malicia do perigo nem as queimaduras de um ressentimento
Então ele nos toma no segundo magico de uma troca fulminante de olhares
As almas se observam
se convence
E se aniquilam em uma combustão incandescente de paixão
Rápido, intenso e fatal
Tão fatal que às vezes suprime por completo uma das almas envolvidas
E evita que essa se lembre da outra
Enfim o caso primitivo de amor à primeira vista não correspondido
Porque si quer chegou a se compreendido
Dito, admirado, lutado, conhecido... Existido
Enfim não chegou a ser um amor
Foi uma fantasia idealizada de uma sonhada paixão
Mas superamos, deixamos para trás
Enfim passamos para amor maduro
O amor com cara de que vai dar certo
Com a ilusão que é de verdade
A triste miragem da felicidade
As vezes da certo
As vezes dá muito errado
E então vivemos nosso maior drama existencial
Os orgulhosos sofrem calados
Os sonhadores suplicam piedade
Os românticos cegam os olhos e ignoraram a verdade
Dessa vez será o bastante para traumatizar uns para sempre
Ou transformar outros por completo junto com sua concepção de amor
Se passa?
Se esquece?
Se dá para tentar de novo?
Depende
Quantas vezes você pode dividir sua alma
Restando ainda um pouco dela para si mesmo
Torturados pela realidade
Frustrados por suas ações
As pessoas desistem
Por fim vivemos o que vivemos
A decadência do comprometimento
A tragédia do amor
Quem diria que para nos sentir vivos
Teríamos que nós sentir tão mortos
Mas se vale de conselho
Mas se vale de aviso
Tente amar à si mesmo na mesma intensidade do outro
Deixe o egoísmo te salvar do incêndio da paixão
Mesmo que seja só por um tempo
Ainda bem que não há regra absoluta
Ainda temos as exceções
Pelo menos aparentemente
Porque certamente na essência as coisas são um pouco diferentes
Muitos ainda são românticos iludidos ignorando uma verdade inconveniente
Mas não se desesperem
Ainda há amor
Em algum lugar ainda há
E vai acontecer de novo com você
Por mais que você evite
Por mais que você lute contra
É mais forte que você
Mais poderoso do que qualquer um possa aguentar
Fática brincadeira dos deuses
O pior dos demônios
Amor amor amor
Morte de sentidos, consciência e tédio
Vida e extermínio
Amor amor amor
Êxtase e angústia
Droga da afeição
Amor amor amor
Por fim tudo que temos
Tudo com que já nascemos
Amor amor amor
Por fim amor
sábado, 26 de junho de 2010
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